SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o pregão desta terça-feira no maior patamar em 17 meses. O índice Ibovespa – a principal referência da bolsa paulista – fechou em alta de 1,17%, aos 67.405 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,663 bilhões. O resultado de hoje é o maior desde o dia 17 de junho de 2008, quando fechou em 68.437 pontos. No ano, a Bovespa acumula alta de 67,5%.
Apoiada nos ganhos das blue chips Petrobras e Vale, a bolsa paulista se descolou do fraco movimento dos mercados internacionais. O dia foi instável nas primeiras horas do pregão, seguindo a fraqueza no mercado externo, que viam em indicadores fracos da economia norte-americana motivos para realização de lucros, após os índices se aproximarem das máximas do ano.
Com o correr do dia, no entanto, as ações das companhias domésticas ligadas a matérias-primas começaram a se fortalecer, alvejadas por fluxos de entrada de recursos internacionais, segundo operadores.
Neste aspecto, as gigantes Petrobras e Vale foram as mais beneficiadas, um dia depois do exercício de opções. O papel preferencial da petroleira subiu 2,7%, a R$ 38,40, após a empresa também ter anunciado a descoberta de uma nova reserva de petróleo na Bacia de Campos.
Na mesma rota, a ação preferencial da Vale passou a ganhar força, até fechar o dia valorizada em 1,55%, para R$ 43,30.
Um fator externo que teria contribuído para esse movimento foi o anúncio de que o Federal Reserve reduziu o prazo máximo dos empréstimos pela janela de redesconto de 90 para 28 dias. A mudança entra em vigor em 14 de janeiro. A medida foi vista como um sinal de melhora das condições do mercado financeiro.
"Isso liberou os fluxos, que voltaram a correr para os mercados de bolsa", disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.
Mercados
A bolsa de Nova York operou em baixa durante a maior parte do pregão, mas "virou" no final do dia. O índice Dow Jones tinha leve alta de 0,19%, enquanto o Nasdaq subia 0,16%.
Já as ações europeias encerraram em baixa nesta terça-feira, após na véspera atingirem máxima em 13 meses, com um crescimento menor que o esperado da produção industrial norte-americana abatendo a confiança e pressionando mineradoras e o setor financeiro.
O índice FTSEurofirst 300, que mede o desempenho dos principais papéis do continente, terminou em queda de 0,43%, após avançar 1,5% na segunda-feira.
Dólar
No mercado cambial, o dólar fechou o pregão em alta nesta terça-feira. A moeda norte-americana terminou o dia negociada a R$ 1,717 para venda, em valorização de 0,35% frente ao real.
O principal motivo para essa alta foi o discurso de segunda-feira do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke. Ele surpreendeu investidores ao mostrar preocupação com os efeitos da prolongada queda do dólar sobre o mandato do Fed no controle da inflação e no estímulo do emprego.
Nesta terça-feira, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse que o dólar forte interessa a toda a comunidade internacional, e acrescentou que está de "pleno acordo" com a análise de Bernanke.
No Brasil, a subida do dólar teve uma dimensão menor do que no resto do mundo. Operadores apontaram a perspectiva de entrada de capitais no país como causa para a falta de combustível para alta - o grupo JBS, por exemplo, pretende captar até US$ 2,5 bilhões ainda este ano.
Reuters e Agência Estado

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