quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sebrae passa da consultoria ao financiamento de empresas

Com programa nacional, instituição que orienta pequenas companhias vai oferecer R$ 380 milhões até 2013 a projetos inovadores

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lança no dia 19 deste mês o Programa Sebraetec para auxiliar os empreendedores por meio de serviços, consultorias e recursos para as áreas de inovação e tecnologia. Com abrangência nacional, o programa espera atender a 12.770 micro e pequenas empresas por ano.

Serão destinados em 2011 R$ 74 milhões para os projetos nas áreas de inovação de processos e produtos, marketing e organização dos empreendimentos. E já há perspectivas de ampliação: para 2012, estão previstos R$ 125 milhões para o programa e, para 2013, R$ 179 milhões. Serão quase R$ 380 milhões nos próximos três anos.

O novo programa do Sebrae fornecerá recursos e consultoria. Além disso, encaminhará parceiros que auxiliarão os empresários no desenvolvimento dos novos produtos. Já existem operações nas unidades do Sebrae nos Estados que promovem assistência às empresas na área de inovação. Esta será, entretanto, a primeira vez que haverá uma concentração dessas atividades por meio de um programa nacional.

O Sebraetec contempla quatro modalidades, com durações distintas: projetos de serviços tecnológicos básicos (prazo máximo de seis meses), avançados (com até nove meses), inovação (até 12 meses) e o Inova, cujo grau de complexidade é ainda mais elevado (24 meses).

Os projetos que entram nas categorias de serviços tecnológicos básicos e avançados serão analisados sem a realização de um edital. Para as demais modalidades haverá chamadas públicas. "A previsão é de que os primeiros editais sejam lançados já em 2011, uma vez que a expectativa é de que ao menos uma chamada por ano seja feita", afirma José Anselmo de Góis, analista e coordenador do programa. Já aderiram ao programa 25 estados, restando apenas São Paulo e Minas Gerais.

A participação no programa é restrita às empresas que tenham faturamento mínimo anual de R$ 240 mil e máximo de R$ 2,4 milhões. Os projetos que forem aprovados serão monitorados e terão seu andamento fiscalizado por meio de relatórios. Caso a empresa não cumpra o planejamento descrito ou tenha alguma irregularidade, correrá o risco de, além de perder a verba, não poder mais se inscrever nos programas do Sebrae.

Investimento em saúde

Para inovar, os engenheiros Robson Ribeiro e Arao Hayashida investiram na empresa Medinovação, que desenvolve equipamentos para a área de saúde. Após um ano e meio na incubadora da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Minas Gerais, os sócios decidiram entrar no mercado. Hoje, comercializam um equipamento utilizado para estabelecer comunicação entre enfermeira e paciente, por meio de um dispositivo sem fio.

O aparelho também é acompanhado por um software em que a enfermeira registra o atendimento e monitora as atividades já realizadas com o paciente. Outros dois equipamentos desenvolvidos na empresa estão em viés de serem comercializados, faltando apenas o registro na Anvisa: o detector fetal (promove a escuta do batimento cardíaco) e o cardiotocogrado (mostra por meio de um vídeo as batidas do coração do bebê).

Os engenheiros queriam investir nesses produtos e aumentar seu portfólio e, para isso, buscaram programas de apoio à inovação. Foi em junho de 2009 que se inscreveram no programa do Sebrae, já com o modelo do Sebraetec, que agora se torna nacional.

O projeto inscrito é para um novo sistema de refrigeração para transporte de órgãos. "O aparelho que criamos é uma caixa que não utiliza gelo e sim corrente elétrica para fazer a refrigeração", diz o engenheiro. O produto ainda não está no mercado, já que para comercializá-lo ainda é preciso realizar testes com órgãos humanos (até agora só foram usados de animais).

A contrapartida apresentada pela Medinovação foi de R$ 10,7 mil e o restante (R$ 17,8 mil) fornecido pelo Sebrae. Em oito meses o projeto foi concluído, o protótipo, montado, e os relatórios finais, apresentados. Hoje, os empresários têm 11 funcionários e querem comercializar o novo sistema de refrigeração, mas ainda enfrentam ainda conseguiram o aval da Anvisa. "O Sebrae acompanhou o desenvolvimento do projeto. A verba foi fundamental para a evolução de um projeto que estava parado por falta de investimento", afirma Ribeiro.

Bruna Bessi, iG São Paulo

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Juiz baleado diz que pretende entrar com medida judicial contra o estado

Ele recebeu alta nesta segunda-feira (11), após sofrer trauma no tórax.
A mulher dele contou que agora passa mal quando vê um policial.

Carolina Lauriano Do G1 RJ

O juiz Marcelo Alexandrino, de 39 anos, baleado em uma blitz no dia 2 de outubro, na autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, no Rio, afirmou, após receber alta médica, nesta segunda-feira (11), que pretende entrar com alguma medida judicial contra a polícia,.

"Claro que a gente vislumbra entrar com alguma medida judicial", disse ele, ao lado da mulher, Sunny Alexandrino, de 28 anos, durante uma entrevista coletiva de quase meia hora, no Hospital Pasteur, no Méier, na Zona Norte.

Entretanto, Marcelo contou que essa não é a prioridade no momento, já que seu filho, de 11 anos, e a enteada, de 8, ainda estão internados. As crianças também foram baleadas na blitz. O menino teve perfuração nos dois pulmões e a menina teve perfuração de bala no estômago, no fígado e também no pulmão. Segundo os pais, o quadro de saúde delas não é grave.

Elas foram transferidas para um hospital da Zona Sul, mas o juiz preferiu não revelar o local e informou que seguiria para lá com a mulher após a entrevista. "O foco agora são as crianças. Quando elas ficarem bem eu penso nisso", disse ele.

De acordo com o hospital, Marcelo sofreu trauma no tórax por perfuração por arma de fogo. Em duas semanas, ele retornará ao hospital para fazer uma revisão.

Mulher diz que passa mal quando vê polícia
Ainda muito abalada, a mulher do juiz, Sunny, chorou em alguns momentos e afirmou que está com trauma de sair na rua e também da polícia. "Eu tenho pavor de sair de casa agora. Quando vejo um policial me dá até sensação de desmaio", afirmou.

O casal contou que as crianças também estão muito traumatizadas e que toda a família precisará de tratamento psicológico. Segundo eles, a menina acorda chorando durante a madrugada e o menino não queria ser transferido de hospital porque teria que sair na rua. "Ele me ligou chorando, eu tive que inventar uma história de que um amigo meu ia acompanhar eles de helicóptero até o outro hospital", contou Marcelo.

Críticas à conduta da polícia
O magistrado voltou a criticar a ação dos dois policias presos acusados de terem feito os disparos. Ele rebateu a afirmação deles de que falta treinamento na polícia. "O problema não é só de treinamento, é uma questão de conduta. Não se bate pelas costas e também não se atira pelas costas. Isso não tem a ver com treinamento, isso se aprende dentro de casa", disse ele.

O juiz deixou um recado para os dois policiais: "Dêem a versão correta e verdadeira. A partir daí é outra história". Para ele, a forma como a polícia se utiliza do poder tem que mudar.

Segundo Marcelo e Sunny, os policiais não estavam identificados e, por isso, o casal achou que eram bandidos e tentaram fugir da blitz. O juiz disse que vários carros conseguiram retornar, mas quando ele passou a marcha ré, havia um ônibus atrás do seu carro. Marcelo descreveu como um milagre o fato de ele e as duas crianças terem sobrevivido aos tiros de fuzil.

Ele reafirmou que sentiu muita decepção ao saber que tinha sido baleado por policiais e não bandidos. "Tenho uma relação de afeto grande com a polícia civil, meus melhores amigos são da polícia civil", contou.

Perguntado se perdoaria os dois policiais que atiraram contra a sua família, ele afirmou que ainda não sabe. "Não tenho condições de pensar se é perdoável ou não. Está muito cedo. Não conheço a história de vida dessas pessoas que atiraram contra mim e a minha família", disse ele.

Policial diz que nunca havia disparado um fuzil
Presos depois que uma perícia apontou suas armas como a origem dos
tiros que feriram o juiz e as duas crianças em uma blitz , policiais criticaram o treinamento que receberam na Academia de Polícia Civil. "Nunca havia disparado com aquele fuzil", conta Souza, um dos policiais presos pelo crime na última sexta-feira (8). A perícia ainda não identificou de onde partiu a bala que atingiu o filho do juiz, de 11 anos. A matéria foi exibida no Fantástico.


"Eu tenho dois meses de polícia. Foi a primeira situação minha de confronto real. Treinamento pra blitz, nós não tivemos nenhum. Dentro da academia, isso não foi dado. Nós tivemos treinamento de uma semana de abordagem e progressão, uma semana pra tiro, sendo que desse tiro foi um dia de fuzil, com 50 disparos. Isso está dentro da nossa carga horária, que é publicada em Diário Oficial do nosso curso de formação", explica ele.

"Se a Academia de Policia não prepara, a preparação deles é deficiente: senhor diretor da Academia de Policia, por favor, reveja seu programa. Se o delegado não os instruiu, na academia vocês não tiveram aula de como montar uma blitz, eu vou dizer pra vocês antes de vocês irem pra rua: senhores delegados, passem a fazer isso. As responsabilidades são várias", rebate o juiz.

Posição da Polícia Civil

A assessoria da Polícia Civil informou, nesta segunda-feira (11), que segundo a diretora da Acadepol, Fabíola Machadao de Araújo, o treinamento dado aos policiais tem 840 horas aula e dura cerca de três meses. As aulas são ministradas de segunda a sábado, das 8 as 20h.

Ainda segundo a polícia, durante o treinamento há um curso chamadado Uso
progressivo da força que consiste em preparar os agentes para agir em determinadas situações, como uma abordagem, uma blitz, e que o disparo é a última medida que o policial deve adotar.

A Polícia Civil informou também que o treinamento com armas é feito com fuzil, pistola, e escopeta, e é oferecido pela Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core).

Também são dadas aulas de defesa pessoal e há um estágio em delegacias de 120 horas.

11/10/2010 13h58 - Atualizado em 11/10/2010 13h58

Governo do DF terá que devolver R$ 2,2 milhões ao governo federal

Verba serviria para comprar livros e equipamentos para a Biblioteca Nacional.
População não consegue utilizar todos os serviços da biblioteca.


 

O governo do Distrito Federal (GDF) terá de devolver R$ 2,2 milhões ao governo federal por conta de irregularidades na compra de livros e equipamentos para a Biblioteca Nacional, ainda na gestão de de José Roberto Arruda, que teve o mandato de governador cassado pelo Tribunal regional Eleitoral (TRE-DF) em março deste ano, após envolvimento no esquema que ficou conhecido como mensalão do DEM.



Na cerimônia de inauguração da biblioteca, em dezembro de 2008, foi anunciado um convênio entre o Ministério da Cultura e o GDF. Documentos da Controladoria-Geral da União mostram que em fevereiro de 2009 foram repassados R$ 2,2 milhões ao GDF.

O dinheiro deveria ser usado para comprar mais livros, além de equipamentos de segurança e informática necessários para o empréstimo do acervo. Em contrapartida, a Secretaria de Cultura tinha que investir R$ 550 mil. Mas nada disso foi feito. Os R$ 2 milhões do governo federal não foram usados.

A Secretaria de Cultura informou que, legalmente, o convênio nunca existiu, porque não foi assinado pelo então governador José Roberto Arruda. Por isso, vai ter que devolver o dinheiro com juros e correção monetária ao governo federal.

"Seria necessário um novo convênio, abrir um novo processo para que fosse dada a validade", afirma Fabiano dos Santos Piúba, da Secretaria do Livro do Ministério da Cultura.

A solução provisória para que os leitores possam usar a Biblioteca Nacional de Brasília foi fazer um convênio com o projeto mala do livro, que funciona como uma biblioteca itinerante. "Alguns recursos foram contingenciados em função da troca de governo. Aguardamos que no próximo governo tenha uma solução", diz a diretora substituta da Biblioteca Nacional de Brasília, Lúcia Helena Moura.

Enquanto isso, toda uma estrutura que poderia ser usada pela população permanece intocada. E o projeto da biblioteca multimídia, com acervo digital e de imagens, também não evoluiu. Segundo a direção, seriam necessários, pelo menos, 120 funcionários. Atualmente, trabalham 46 pessoas. A Biblioteca Nacional de Brasília conta com um acervo de cem mil livros novos, sendo que 85 mil ainda precisam ser cadastrados e 15 mil já estão nas prateleiras.

"Eu perguntei como eu posso fazer para pegar um livro e eles disseram que não tem pessoal e não tem segurança", conta a escritora Milagros Teram. "Se eu precisar pesquisar alguma coisa, precisar de um livro, não tenho esta disponibilidade", reclama o bancário Carlos Amâncio.

Não há previsão de quando a biblioteca estará funcionando plenamente. O Ministério da Cultura informou que está aberto para receber outro projeto e refazer a parceria com o GDF.

O ex-governador, José Roberto Arruda, e o advogado dele não retronaram às ligações para explicar por que o convênio não foi assinado.

Resgate dos mineiros deve começar à zero hora de quarta-feira no Chile

Túnel pelo qual eles vão subir já foi revestido de metal e está pronto.
Os 33 operários estão presos em mina desde 5 de agosto.

Giovana Sanchez Do G1, na Mina San José

O resgate dos 33 mineiros presos deve começar à zero hora local (mesmo horário de Brasília) desta quarta-feira (13), disse o ministro da Mineração, Laurence Golborne.

Segundo o ministro, já foram iniciados os testes das cápsulas que serão utilizadas para resgatar individualmente os mineiros.

A cápsula já desceu 610 metros, 12 antes de chegar ao local ao qual os mineiros têm acesso, e os resultados foram muito positivos, disse ele em entrevista na mina.

"A cápsula se comporta muito bem dentro do duto, se adapta ao movimento com o revestimento e sem ele. Não existe movimento de bamboleio dentro da cápsula. Não caiu nem pó dentro do duto", disse.

O teste ocorreu na madrugada desta segunda, logo depois de terminado o revestimento metálico do túnel.


Trabalhos de resgate continuam nesta segunda-feira (11). (Foto: AFP)

O teste foi realizado na madrugada desta segunda, depois que registrado um defeito no sistema de revestimento com tubos metálicos, o que obrigou a reduzir o número de metros revestidos dos 96 iniciais a 56 metros.

"Devido a esta situação (o defeito), decidiu-se realizar um teste o mais real possível com a cápsula Fênix um, chegando até os 610

metros de profundidade", explicou ainda.

Os mineiros ficarão presos na cápsula por cintos de segurança.

A cabine pode chegar à superfície em 12 minutos, mas o tempo estimado para cada resgate é de uma hora.

capsula mineiros (Foto: Arte G1)

A cápsula tem luz no teto e quatro tanques de oxigênio estão disponíveis no chão. Durante a subida, os mineiros irão se comunicar com as equipes de resgate com microfones instalados no capacete. Eles também precisarão usar óculos escuros, porque estão há muito tempo sem ver a luz do dia.

O sobe-e-desce da cabine de resgate pode ser perigoso. Se as paredes do buraco não estiverem firmes, terra e pedras podem cair em cima de quem está sendo resgatado. Por isso foi decidido pelo revestimento do túnel na parte de cima, onde está mais instável.

"Vamos colocar um mineiro sozinho em uma cápsula estreita e fazê-lo subir num elevador como se fosse da base ao topo do Pão de Açúcar", disse neste domingo (10) o ministro da Saúde do Chile, Jaime Mañalich.

Mañalich disse que as maiores dificuldades da retirada são a profundidade e a inclinação (de dez graus) que há na subida – que tampouco tem uma superfície lisa. Tudo a uma velocidade de 1m/s.

Os riscos são de embolia pulmonar, nausea e vômitos. No contato com a superfície, o problema é a claridade. "Lá embaixo nós simulamos o dia, mas não é muita iluminação. É como um cinema. Aqui é muito mais iluminado."

Mapa localiza Copiapó, no Chile. (Foto: Arte G1)

Nas últimas horas antes de subir, os mineiros deverão se preparar com atividades físicas cardiovasculares e uma dieta especial para evitar que sintam náuseas durante o trajeto.

Jean Romagnoli, um dos médicos que integra a equipe de resgate, explicou nesta segunda-feira que um sistema de monitoramento dos sinais vitais será instalado na cápsula, para que os mineiros sejam monitorados diretamente durante a subida.

"O objetivo é que possamos ler as constantes vitais, para que eles mesmos façam o controle em tempo real de seus sinais vitais", acrescentou - o que, além da utilidade óbvia, dará aos mineiros algo para fazer e se concentrar, o que ajuda a reduzir a ansiedade e o medo.

Quatro membros da equipe de resgate descerão pelo duto para ajudar os mineiros, disse o ministro da Saúde. 

"O primeiro socorrista vai ser um socorrista mineiro, depois um enfermeiro, seguidos por outro mineiro e enfermeiro", detalhou.

Antes, havia sido informado que este trabalho seria realizado apenas por dois socorristas, um mineiro e outro paramédico da marinha chilena.

O aumento no número de socorristas que vão ajudar os mineiros foi decidido porque a operação de içar os mineiros durará de uma a dois dias e será necessário fazer turnos de trabalho.

O ministro informou ainda que não será divulgada uma lista com a ordem de saída dos mineiros porque isso só será definido no momento que tiver o início o resgate.

Dois helicópteros, vagas nos hospitais e 150 pessoas estarão à disposição para dar apoio.

Conversas com as famílias
As famílias conversaram com os mineiros no sábado e no domingo.

"Eles choravam e se abraçavam" ao saber sobre a proximidade do resgate, contou à France Presse Alberto Segovia, irmão de Darío Segovia.

Alguns expressaram seu nervosismo com a etapa final de sua odisseia. "Ele está muito feliz, mas muito, muito nervoso", disse Alberto.

Carolina Narváez, esposa do mineiro Raúl Bustos, relatou que seu marido "está feliz, e a única coisa que quer é sair de lá".

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Senado aprova projeto que torna lei meta de redução de gases do efeito estufa

Decreto presidencial vai definir ações para alcançar objetivo de redução.
Política Nacional sobre Mudança do Clima prevê meta de até 38,9%.

O Senado aprovou na sessão desta quarta-feira (25) a Política Nacional sobre Mudança do Clima, que define em lei a meta de redução de gases do efeito estufa estabelecida pelo governo federal entre 36,1% e 38,9%.

 A responsabilidade por apontar as ações que serão realizadas para cumprir o compromisso, no entanto, foi transferida para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que terá de editar um decreto com as medidas. O texto aprovado retorna agora para a Câmara.

 Previsto no Projeto de Lei da Câmara 283/09, o compromisso firmado pelo governo federal de redução de gases até 2020 vai ser

apresentado na Conferência do Clima, que vai ocorrer em dezembro, em Copenhague. "A missão agora é garantir que a Câmara não modifique o texto", afirmou a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC).

 A inclusão da meta na matéria foi um ponto debatido até o último instante de discussão do projeto no plenário do Senado. A senadora Marina Silva (PV-AC), relatora do projeto na Comissão de Meio Ambiente, argumentou que as metas de redução das emissões de gases de efeito estufa deveriam ser incluídas no texto. Por outro lado, o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu um texto "mais flexível".

 Pela proposta elaborada no relatório do senador Renato Casagrande (PSB-ES), relator pela Comissão de Assuntos Econômicos, caberá a Lula definir quais instrumentos serão utilizados para alcançar as metas previstas no projeto. "Para alcançar os objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima, o país adotará como compromisso nacional voluntário ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas a reduzir entre 36,1% e 38,9% suas emissões projetadas até 2020", diz o texto aprovado.

 A matéria ainda prevê: "A projeção das emissões para 2020, assim como o detalhamento das ações para alcançar o objetivo expresso serão dispostas por decreto."

 As ações que serão definidas por Lula terão que atender o segundo Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, a ser concluído em 2010.

 A senadora Marina Silva (PV-AC) comemorou a aprovação e classificou "como um avanço" a inclusão da meta na Política Nacional sobre Mudança do Clima, mas criticou a presença do termo "compromisso voluntário" no texto referendado. "Estamos autorizando o presidente a empreender essa meta. Seria um avanço maior se fosse retirado o termo voluntário", afirmou Marina. 

Fundo

O Senado também aprovou o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, que será vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e se constitui em instrumento para a viabilização da política e também do Plano Nacional sobre Mudança do Clima. Terá como finalidade assegurar recursos para apoio a projetos ou estudos que visem à mitigação da mudança do clima. O projeto vai direto à sanção do presidente da República.

G1

Sem IPI, indústria prevê queda imediata nos preços de móveis

A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis, cujas alíquotas variavam entre 5% e 10%, anunciada nesta quarta-feira (25), poderá ter efeito imediato para o consumidor, de acordo com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimovel), José Luiz Diaz Fernandez.

 Fernandez diz que a redução do imposto poderá chegar imediatamente ao consumidor, pois o Ministério da Fazenda abriu a possibilidade de que o estoque disponível nas lojas seja refaturado para refletir a isenção de IPI. Segundo ele, como o setor vive uma crise, com vendas 10% mais baixas do que no ano passado, as empresas devem repassar descontos iguais ou até superiores à desoneração tributária.

A previsão é reforçada pelo Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), principal polo moveleiro do Paraná.  "Acreditamos que o impacto da medida para o consumidor será imediato. Nas matérias-primas não têm IPI as lojas devem repassar integralmente, significa que na ponta vai ter essa redução de preço", diz o diz Silvio Luiz Penetti, diretor-executivo do Sima. 
 

TokStok

O gerente de finanças da TokStok, Paul Dubrule, diz que a empresa pretende repassar toda a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o consumidor final. Segundo ele, a rede deve trabalhar a comunicação para informar o cliente que os preços dos móveis estarão mais baixos. "No nosso caso, não afeta 100% dos produtos", diz ele, lembrando que a TokStok vende 10 mil itens, incluindo acessórios e produtos de cama, mesa e banho.

 De acordo com Dubrule, o ano foi "difícil" para o setor moveleiro. Com a redução do IPI para eletrodomésticos, ocorreu um "descompasso" entre as vendas de móveis de madeira e aço e os itens da linha branca. "Esses setores sempre caminharam juntos, com crescimentos similares", explica o executivo, lembrando que essa tendência foi quebrada em 2009.

 Para "driblar" a queda nas vendas de móveis, a TokStok aumentou a ênfase nos acessórios. Desta forma, diz Dubrule, a empresa não teve retração nas vendas. "Estimulamos as vendas desses produtos [acessórios]. Se a pessoa não podia trocar o sofá, conseguiu mudar o ambiente trocando pequenos objetos ou uma almofada, sem ter que colocar tanto a mão no bolso."

 Todeschini

Rogério Francio, diretor comercial da marca Carraro, da Todeschini, que fabrica e revende móveis para redes de varejo destinadas a classes de A a D, diz que a intenção da indústria é repassar integralmente o percentual do impacto da isenção no preço dos produtos.

 Ele diz, entretanto, que ainda é preciso refazer cálculos para saber se isso será possível em todas as linhas de móveis. Segundo o executivo, o consumidor que planeja comprar móveis de madeira deve ser um dos mais beneficiados.
"Nos setores em que houve isenção no imposto da matéria-prima, como o da madeira, vai ser mais fácil repassar a redução de 10% nos preços", diz Francio.

Para ele, o comprometimento das redes de varejo em repassar os preços sem IPI ao consumidor será fundamental para garantir a retomada nas vendas no fim de ano. "Eu acho que as empresas se acertando com o varejo tem condições de permitir que o consumidor tenha acesso a um móvel bem mais barato".

 Na avaliação de Francio, a maior dificuldade para dar descontos maiores ao consumidor pode ocorrer em setores cuja matéria-prima não foi liberada do IPI, como é o caso das linhas de móveis tubulares. "Nesse tipo de produto, o desconto vai depender também das usinas de aço."

 "Essa isenção veio em um momento interessante, quando sai o 13º salário e o varejo está muito mais ativo. E, como a isenção nos preços de eletrodomésticos já está vigente há um tempo, este pode ser o momento de o consumidor desviar a compra dos eletrodomésticos para móveis", afirma.

Governo pede calma a aliados na discussão do pré-sal


 


 

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta quarta-feira que o governo pediu aos aliados no Congresso para "baixar a temperatura" nos debates sobre a partilha dos royalties do petróleo do pré-sal. Em entrevista realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, Padilha disse que "não interessa a ninguém um confronto entre Estados e regiões".

O clima entre os Estados produtores e outras unidades da federação se acirrou com a declaração do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), de que deputados aliados estavam "roubando" o Estado fluminense, ao defender proposta de aplicar a nova forma de divisão das receitas do pré-sal para as áreas que já foram licitadas.

"Antes de disputar o tamanho dos recursos, precisamos garantir que esses recursos cheguem", disse o ministro. Padilha defendeu o projeto do governo e afirmou que a bancada aliada vai se esforçar para votar hoje a medida provisória (MP) que libera recursos para o combate à Influenza A (H1N1), a chamada gripe suína, que tranca a pauta, impedindo a discussão do projeto da partilha do pré-sal.


 

Agência Estado